Confira a entrevista traduzida:
Leigh-Anne está defendendo sua verdade. A estrela britânica já falou eloquentemente sobre suas experiências na indústria musical, em particular sobre o racismo e a solidão de ser a única garota negra no grupo Little Mix, que conquistou o mundo. A espera foi longa, mas o novo álbum “My Ego Told Me To” – o primeiro como artista solo – parece uma correção necessária a essa situação. Uma celebração da identidade, o álbum é uma mistura de reggae, dancehall, R&B e afrobeats, tudo combinado com seu inegável talento para o pop.
Baseando-se em suas raízes barbadenses e jamaicanas – a Jamaica é seu segundo lar, e Leigh-Anne até se casou na ilha – há uma forte influência caribenha na abertura do álbum. “Look Into My Eyes” é a obra de alguém segura de sua própria identidade, enquanto a vibrante “Dead And Gone” é uma peça de pop com alma e influências de reggae. ‘Revival‘ parece incorporar o calipso às melodias, com a voz de Leigh-Anne soando melhor do que nunca, e a interpretação vinda de um lugar muito genuíno.
Não é um álbum para ser ouvido de forma isolada, no entanto. Ao longo de suas 15 faixas, ‘My Ego Told Me To’ funciona como um reflexo de uma vida inteira apaixonada por música – uma lente através da qual ela enxerga o mundo, e suas composições absorvem todos os tipos de sons e sentimentos diferentes.
‘Burning Up‘ é uma balada afrobeats envolvente, com uma energia vibrante focada em um futuro brilhante. ‘Best Version Of Me‘ contém traços de amapiano em seu DNA, enquanto as inflexões acústicas em ‘Sunrise‘ são puro R&B da geração Millennial – pense naquelas megabaladas da Aaliyah e você estará perto.
Mas não para por aí. ‘Goodbye Goodmorning‘ inesperadamente mostra Leigh-Anne em uma performance de diva do rock – lembra as incursões de Rina Sawayama no metal e revela um lado cru de seu trabalho que raramente é destacado.
Há um velho ditado que diz que é preciso uma aldeia para criar uma criança, e a estreia de Leigh-Anne conta com participações fantásticas. Clarence ‘Coffee’ Jr. contribui, assim como o compositor britânico Owen Cutts; Fred Ball dá uma mãozinha, enquanto Valiant e RVSSIAN se unem na magnética ‘Most Wanted‘.
No centro, porém, está Leigh-Anne. Tendo declarado recentemente sua independência da estrutura das grandes gravadoras, ‘My Ego Told Me’ é sua verdade sem filtros, sua história sem amarras. Apropriadamente, o álbum termina com uma postura potente e emotiva de resolução – abençoada com uma voz mágica, ‘Heaven‘ claramente vem de um lugar terno.
Uma obra de enorme amplitude, ‘My Ego Told Me’ parece uma limpeza geral. Leigh-Anne há muito desejava homenagear essas partes de sua vida, e esta montanha-russa de 15 faixas faz exatamente isso. Impulsionada por um senso singular de pureza, esta é a sua emergência extática.
8/10
Escrito por: Robin Murray
Fonte: Clash Music | Tradução e Adaptação: Leigh-Anne Pinnock Brasil